segunda-feira, 22 de março de 2010

Chuva de sapos e canivetes

Depois de uns baques soltos e de uns baques virados, eu ainda tenho forças.
Para pensar, pensar, pensar... e agir.
Penso todos os dias no livro que vou escrever, no tema, na escala de fatos e nas tantas vezes que o desenrolar das histórias que quero contar, exibir, noticiar, mudam da noite para o dia e me fazem ter nós e mais nós dentro da cabeça.
A Editora já deve estar cansada de receber meus emails sempre postergando a data da reunião para finalmente discutir a capa, o número de páginas, o tipo de folha, o local onde será realizada a festa de lançamento do produto, o dinheiro a ser gasto com toda a produção...
Quando analiso minha vida com uma lente de aumento e a vejo de perto, ela parece sem-graça. Moro num condomínio fechado, cheio de grades, com um belo visual para a praia, para as pedras e morros de um lado extremo do Rio, visito uma vez por semana o Centro da Cidade para assuntos profissionais de um ramo comercial não escolhido por mim, dado à força bruta, a duras penas, na base da imposição. É o preço de estar viva e ter que ganhar dinheiro. Sem dinheiro a gente faz o que? Se bem que estou exagerando, mas como isso me incomoda... Tirando o fato de que escolhi uma carreira bonita, a da comunicação, que sempre achei que levava jeito, na fala e na escrita, mas difícil para se estabelecer com equilíbrio e com certa dignidade, complicada de se trabalhar em grupo e de se faturar uns tostões, enfim, uma carreira cheia de pessoinhas desrespeitosas, estressadas e mesquinhas, vingativas talvez, desdenhosas, e o pior, recalcadas. Mas são essas que não crescem. As que se desligam disso conseguem crescer. Sobre ser reconhecida... menos ainda, mas nem é por causa disso que ando com a cabeça transtornada. Ando assim, porque o tempo vai passando e ao tentar me desviar dos olhos famintos dele, me meto em cada situação... diariamente. Mesmo na rotina chata do dia a dia... conhecendo o melhor e o pior lado das coisas ou das pessoas, objetos... o que tudo não passa de ser, como por exemplo... um robô que era prestativo, te acompanhava e te ajudava, seja dentro de casa ou na rua, e repentinamente, se vira contra você, fica rebelde, depois violento, caem seus parafusos, ele se confunde, te confunde e a máquina surta. Tanto a sua quanto a dele. Ficam ambos desbaratinados. Cérebro para um lado, lataria para outro. E se desligam, não querem mais contato. Um "Eu, Robô" bichado, que ninguém está livre de comprar e, pensando ter comprado um belo exemplar X, Y, Z ou um Alfa, comprou-se uma bela porcaria, um gato por lebre. OK, estamos no Brasil e nem temos essa cultura de colecionar robôs coreanos ou japoneses, logo, mudo para bonecos ou bonecas infláveis, em homenagem ao cartunista Glauco e aqui trocamos um abacaxi por um caroço de manga. Imagine o prejuízo e o estrago da gente colocar em nossas vidas coisas falsificadas, incompletas, sujas e depois de algum tempo nos arruinarmos com elas.

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